Alimentação

O que cachorro pode comer? Guia de alimentos seguros

Veja quais alimentos o cachorro pode comer, o que deve ficar fora do alcance e como oferecer petiscos sem desequilibrar a alimentação diária.

Cintia C. Sabbag

Por Cintia C. Sabbag

tutora separando pequenas porções de alimentos enquanto o cachorro observa na cozinha

O cachorro pode consumir diversos alimentos além da ração, incluindo algumas carnes, frutas, legumes e cereais, desde que sejam preparados corretamente e oferecidos em quantidades moderadas. Entretanto, alimentos seguros não são automaticamente adequados para todos os animais. Idade, peso, doenças e composição da dieta precisam ser considerados.

Neste artigo, você conhecerá opções que podem ser oferecidas ao cachorro, os cuidados necessários durante o preparo e os ingredientes que devem permanecer fora do alcance. Também entenderá por que esses alimentos devem funcionar principalmente como petiscos, sem substituir uma dieta completa formulada para atender às necessidades caninas.

Qual deve ser a base da alimentação do cachorro?

A base da dieta deve ser um alimento completo e equilibrado, escolhido de acordo com a idade, o porte, a condição corporal e o estado de saúde. Filhotes, adultos, idosos, cadelas gestantes e cães com doenças apresentam necessidades diferentes e não devem receber exatamente o mesmo cardápio.

Rações comerciais adequadas já são formuladas para fornecer proteínas, gorduras, vitaminas e minerais nas proporções necessárias. Alimentos caseiros podem fazer parte da rotina, mas uma dieta totalmente preparada em casa precisa ser formulada por um médico-veterinário especializado em nutrição para evitar carências e excessos.

Os alimentos permitidos apresentados neste guia devem ser vistos principalmente como petiscos ou complementos ocasionais. Todos os extras somados devem representar, em geral, no máximo 10% das calorias diárias. Os outros 90% precisam vir da alimentação completa recomendada para o cachorro.

Quais carnes e proteínas o cachorro pode comer?

Frango, peru, carne bovina e carne suína podem ser oferecidos completamente cozidos, sem ossos, pele, gordura aparente ou temperos. Escolha cortes mais magros e sirva porções pequenas. Carnes utilizadas em ensopados ou churrascos não são adequadas por conterem sal, óleo, alho, cebola e outros ingredientes.

O cachorro também pode comer ovo cozido e alguns peixes preparados sem espinhas. Salmão e sardinha podem ser oferecidos ocasionalmente, desde que estejam completamente cozidos e sem temperos. Atum enlatado deve ser raro e, quando utilizado, precisa estar conservado em água e sem ingredientes adicionais.

Carnes, ovos e peixes crus não são recomendados devido ao risco de contaminação por bactérias e outros agentes. Ossos crus ou cozidos também podem provocar engasgo, obstrução ou perfuração do sistema digestivo. Cozinhar completamente e retirar os ossos torna a oferta mais segura.

Quais frutas o cachorro pode comer?

Banana, maçã, pera, mamão, manga, melancia, melão, morango e mirtilo estão entre as frutas que podem ser oferecidas em pequenas quantidades. Elas devem estar frescas e sem açúcar, leite condensado, caldas ou coberturas. Frutas não substituem refeições nem são necessárias para completar a dieta.

Retire sementes, caroços, talos, cascas resistentes e partes que possam provocar engasgo ou obstrução. A maçã deve ser servida sem o miolo e as sementes, a manga sem o caroço e a melancia sem a casca. Corte a polpa em pedaços compatíveis com o porte do cachorro.

As frutas contêm açúcar natural e podem contribuir para ganho de peso quando oferecidas em excesso. Comece com um pedaço pequeno e observe a resposta do organismo. Cachorros com diabetes, obesidade ou dieta terapêutica precisam de autorização veterinária antes de receber frutas como petisco.

Quais legumes e verduras são permitidos?

Cenoura, abóbora, abobrinha, chuchu, vagem, pepino e ervilha podem ser oferecidos sem temperos. Alguns podem ser consumidos crus em pedaços pequenos, enquanto outros ficam mais fáceis de digerir depois do cozimento. A textura deve ser adaptada à capacidade de mastigação do cachorro.

Batata e batata-doce podem ser oferecidas somente depois de completamente cozidas. A batata crua e suas partes verdes não devem ser consumidas. Brócolis e couve-flor podem entrar em pequenas quantidades, pois porções maiores costumam provocar gases e desconforto digestivo em alguns animais.

Legumes preparados para a família não devem ser separados depois que já receberam alho, cebola, sal, manteiga ou molhos. Cozinhe a porção do cachorro à parte, utilizando água ou vapor. Apesar de permitidos, esses vegetais continuam sendo complementos e não formam sozinhos uma refeição equilibrada.

Cachorro pode comer arroz, aveia e derivados do leite?

Arroz branco ou integral e aveia podem ser oferecidos cozidos em água e sem temperos. Pequenas quantidades podem fazer parte de uma dieta formulada ou ser usadas ocasionalmente. Pão e massas sem ingredientes tóxicos não costumam causar intoxicação, mas acrescentam calorias e oferecem pouca vantagem como petisco.

Alguns cães toleram pequenas porções de iogurte natural sem açúcar ou queijo com menor teor de gordura. Outros apresentam dificuldade para digerir lactose e desenvolvem gases, cólicas ou diarreia. Leite não deve ser usado como substituto da água, que precisa permanecer sempre disponível.

Verifique o rótulo de produtos industrializados antes de qualquer oferta. Iogurtes, pastas de amendoim, biscoitos e outros alimentos podem conter xilitol, açúcar, excesso de sal ou aromatizantes. O fato de um ingrediente principal ser permitido não torna toda receita segura para o cachorro.

Como preparar e oferecer alimentos com segurança?

Sirva os alimentos puros, sem sal, açúcar, óleo, manteiga, molhos ou temperos. Retire ossos, espinhas, caroços e cascas difíceis de digerir. Corte tudo em pedaços pequenos, considerando que cães de pequeno porte e animais que engolem rapidamente apresentam maior risco de engasgo.

Introduza apenas um alimento novo por vez e comece com uma quantidade pequena. Observe o cachorro nas horas seguintes para identificar vômito, diarreia, gases, coceira ou falta de disposição. Se ocorrer alguma reação, suspenda a oferta e procure orientação veterinária caso os sintomas sejam intensos ou persistentes.

Não ofereça restos diretamente da mesa. Além de conterem ingredientes inadequados, eles podem estimular o cachorro a pedir comida durante todas as refeições. Separe previamente uma porção apropriada e utilize-a como recompensa, descontando suas calorias dos demais petiscos oferecidos naquele dia.

Quais alimentos o cachorro não pode comer?

Chocolate, café, bebidas energéticas e outros produtos com cafeína devem permanecer fora do alcance. Uvas e uvas-passas podem causar lesões renais, enquanto cebola, alho, alho-poró e cebolinha podem danificar as células do sangue. Esses ingredientes continuam perigosos quando cozidos, secos ou adicionados a receitas.

O xilitol, encontrado em alguns produtos sem açúcar, pode causar queda acentuada da glicose e danos ao fígado. Bebidas alcoólicas, massa crua com fermento e macadâmias também oferecem riscos importantes. Não existe uma porção doméstica considerada segura para incluir esses alimentos no cardápio canino.

Evite ainda ossos, espigas de milho, caroços, alimentos mofados e preparações muito gordurosas ou salgadas. Alguns não são venenosos, mas podem provocar engasgo, obstrução, lesões internas ou pancreatite. Mantenha lixeiras fechadas e não deixe alimentos perigosos sobre mesas ou bancadas acessíveis ao animal.

O que fazer se o cachorro comer um alimento perigoso?

Retire o restante do alimento e identifique o produto, a quantidade aproximada e o horário da ingestão. Guarde a embalagem ou fotografe a lista de ingredientes. Entre imediatamente em contato com o médico-veterinário, mesmo que o cachorro ainda não apresente sintomas, pois algumas intoxicações demoram a produzir sinais.

Não provoque vômito e não ofereça leite, óleo, carvão ou medicamentos sem orientação profissional. Dependendo da substância, induzir o vômito pode aumentar o risco de aspiração ou causar novas lesões. O procedimento correto depende do alimento ingerido, do tempo decorrido e das condições do animal.

Vômitos, diarreia, tremores, fraqueza, desorientação, dificuldade para respirar, convulsões ou alterações no ritmo cardíaco exigem atendimento urgente. Filhotes, idosos e cães com doenças anteriores podem apresentar complicações mais rapidamente. Em caso de dúvida sobre qualquer alimento, confirme a segurança antes de oferecê-lo.

Perguntas frequentes

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Cintia C. Sabbag

Sobre a autora

Cíntia C. Sabbag estuda e acompanha há anos a saúde, o comportamento e o bem-estar dos cães, orientando tutores a cuidar do animal em todas as fases da vida.