Saúde

Cachorro com diarreia: o que observar e quando agir

Saiba o que pode causar diarreia no cachorro, quais informações ajudam o veterinário, quando é urgente e por que não dar remédio humano.

Cintia C. Sabbag

Por Cintia C. Sabbag

tutor monitorando o cachorro durante uma saída curta ao quintal

A diarreia acontece quando as fezes ficam amolecidas ou líquidas e podem ser eliminadas com maior frequência. Um episódio isolado em um cachorro adulto, disposto e sem outros sintomas nem sempre representa uma emergência. Entretanto, a alteração também pode indicar infecção, parasitas, intoxicação, doença ou obstrução intestinal.

Neste artigo, você aprenderá a observar as fezes e o estado geral do cachorro, reconhecer sinais de desidratação e saber quais cuidados não devem ser realizados por conta própria. Também entenderá quando acompanhar o animal por um período curto e quando procurar atendimento veterinário sem esperar pela melhora espontânea.

O que observar nas fezes do cachorro?

Registre quando a diarreia começou, quantas vezes o cachorro evacuou e se consegue controlar a eliminação. Observe também a consistência, a quantidade, o cheiro e a presença de muco, sangue, vermes, objetos ou alimentos não digeridos. Essas informações ajudam o veterinário a investigar a causa.

Sangue vermelho pode aparecer em estrias, gotas ou misturado às fezes e costuma indicar sangramento em uma parte mais baixa do sistema digestivo. Fezes pretas, brilhantes e com aspecto de piche podem conter sangue digerido e exigem avaliação rápida, mesmo que o cachorro não demonstre dor.

Fotografe as fezes e, quando houver orientação para uma consulta, recolha uma amostra recente em recipiente limpo e fechado. Mantenha-a refrigerada, separada de alimentos, até receber instruções da clínica. Não manipule o material sem proteção e lave bem as mãos depois da coleta.

O que pode causar diarreia em cachorros?

Mudança repentina de ração, excesso de petiscos, restos de comida e ingestão de lixo estão entre as causas frequentes. Alimentos muito gordurosos ou desconhecidos podem irritar o sistema digestivo. Situações estressantes, como viagens, hospedagem ou alterações na rotina, também podem amolecer as fezes.

Parasitas, vírus e bactérias precisam ser considerados, principalmente em filhotes, animais não vacinados ou cães que frequentam locais compartilhados. A diarreia também pode estar relacionada a intolerâncias alimentares, inflamação intestinal, alterações no pâncreas e doenças do fígado, dos rins ou das glândulas adrenais.

Corpos estranhos, intoxicações e reações a medicamentos podem provocar quadros graves. Informe ao veterinário se o cachorro teve acesso a brinquedos, tecidos, ossos, plantas, produtos químicos ou medicamentos humanos. A aparência das fezes não permite identificar com segurança qual dessas causas está presente.

Como identificar sinais de desidratação?

A diarreia aumenta a perda de água, e o risco se torna maior quando também existem vômitos. Observe se o cachorro está bebendo, urinando e mantendo sua disposição habitual. Fraqueza, sonolência excessiva, redução da urina e recusa de água são sinais de que o quadro merece avaliação rápida.

Gengivas normalmente são úmidas. Quando ficam secas ou pegajosas, pode haver desidratação, embora esse teste doméstico não determine sua intensidade. Olhos mais fundos e pele com menor elasticidade também podem aparecer, mas idade, peso e características individuais interferem nessas observações.

Filhotes, cães pequenos, idosos e animais com doenças anteriores podem perder líquidos rapidamente. Não espere sinais intensos para procurar orientação nesses grupos. A Cornell University alerta que diarreia e vômito juntos aceleram a desidratação e podem causar alterações importantes no equilíbrio do organismo.

O que fazer quando o cachorro está com diarreia?

Se ocorreu apenas um episódio e o cachorro adulto permanece disposto, alimenta-se normalmente e não apresenta sangue, dor ou vômito, acompanhe-o de perto. Mantenha água fresca disponível, permita descanso e leve-o ao local de evacuação com maior frequência para evitar acidentes dentro de casa.

Suspenda petiscos, restos de comida e qualquer alimento novo. Não altere repetidamente a dieta tentando descobrir o que interrompe a diarreia. Entre em contato com o veterinário para saber se deve manter a alimentação habitual ou utilizar temporariamente uma dieta gastrointestinal apropriada para o caso.

Higienize potes, pisos e locais contaminados e recolha as fezes imediatamente. Alguns agentes infecciosos e parasitas podem permanecer no ambiente ou afetar outros animais. Se houver mais de um cachorro na casa, evite o compartilhamento de recipientes até obter orientação sobre a possível causa.

O que não oferecer ao cachorro com diarreia?

Não dê antidiarreicos, antibióticos, anti-inflamatórios ou outros medicamentos humanos sem prescrição. Substâncias aparentemente comuns podem ser tóxicas, inadequadas para determinadas raças ou perigosas quando existe uma obstrução, infecção, intoxicação ou interação com outro remédio utilizado pelo cachorro.

Também não ofereça bebidas esportivas, soluções caseiras com sal, leite, óleos ou grandes quantidades de suplementos. Uma mistura inadequada pode alterar ainda mais os eletrólitos. Probióticos e dietas terapêuticas podem ser indicados pelo veterinário, mas precisam ser escolhidos e administrados de acordo com o quadro.

Não deixe o cachorro em jejum prolongado por decisão própria, especialmente quando se trata de filhote, animal pequeno, idoso, diabético ou debilitado. Também não force comida ou água em um cão nauseado ou com dificuldade para engolir. A conduta alimentar deve considerar a idade, os sintomas e a causa provável.

Por que a diarreia em filhotes exige mais atenção?

Filhotes possuem menor reserva corporal e podem desidratar ou apresentar queda da glicose mais rapidamente. Além disso, estão mais expostos a parasitas e doenças infecciosas enquanto o protocolo de vacinação ainda não foi concluído. Diarreia repetida nessa fase não deve ser tratada apenas como consequência da alimentação.

Procure atendimento rapidamente se o filhote apresentar sangue nas fezes, vômitos, fraqueza, febre, recusa de alimento ou redução da disposição. Informe o histórico de vacinas e prevenção de parasitas. Mantenha-o afastado de cães desconhecidos e de áreas compartilhadas até que uma causa contagiosa seja descartada.

Cães idosos, gestantes, muito pequenos ou portadores de doenças crônicas também precisam de avaliação antecipada. Problemas renais, hepáticos, cardíacos e hormonais podem dificultar a compensação da perda de líquidos. Os medicamentos utilizados pelo animal devem ser informados ao veterinário antes de qualquer tratamento.

Quando a diarreia precisa de atendimento urgente?

Procure atendimento imediato quando houver grande quantidade de sangue, fezes pretas, diarreia incontrolável, fraqueza intensa, desmaio, dificuldade para respirar, gengivas muito pálidas ou dor abdominal forte. Abdômen inchado e tentativas repetidas de vomitar sem conseguir também representam uma emergência.

Vômitos repetidos, suspeita de intoxicação, ingestão de objeto ou incapacidade de manter água no organismo exigem contato rápido com uma clínica. Não espere o aparecimento de todos os sinais. A combinação de diarreia com mudança importante no comportamento indica que o problema não está restrito às fezes.

Mesmo sem sinais de emergência, consulte o veterinário se a diarreia continuar por mais de 24 horas, ocorrer repetidamente ou vier acompanhada de perda de apetite. Fezes persistentemente moles também merecem investigação. O Manual Veterinário Merck recomenda atendimento imediato diante de diarreia sanguinolenta, escura ou incontrolável.

Como o veterinário investiga e trata a diarreia?

A consulta começa com o histórico, o exame físico e a avaliação da hidratação. O veterinário pode solicitar exame de fezes para pesquisar parasitas, testes para doenças infecciosas, exames de sangue ou imagens. A escolha depende da idade, da duração, dos sintomas e da suspeita de obstrução ou doença sistêmica.

O tratamento varia conforme a causa e pode incluir reposição de líquidos, dieta gastrointestinal, medicamentos contra náusea ou terapia específica para parasitas e outras doenças. Antibióticos não são necessários em todos os episódios. Tentar tratar antes do diagnóstico pode esconder sinais e atrasar a conduta correta.

Para reduzir novos episódios, faça mudanças de ração gradualmente, mantenha vacinas e controle de parasitas atualizados e impeça o acesso a lixo, alimentos tóxicos e objetos. Observe as fezes durante os passeios e procure avaliação quando alterações se repetirem, mesmo que desapareçam entre um episódio e outro.

Perguntas frequentes

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Cintia C. Sabbag

Sobre a autora

Cíntia C. Sabbag estuda e acompanha há anos a saúde, o comportamento e o bem-estar dos cães, orientando tutores a cuidar do animal em todas as fases da vida.