Saúde
Cachorro se coçando muito: causas e sinais de alerta
Entenda por que o cachorro pode se coçar demais, o que observar na pele, como pulgas e alergias são investigadas e quando procurar atendimento.
Por Cintia C. Sabbag
Coçar o corpo ocasionalmente faz parte do comportamento normal, mas a repetição intensa pode indicar um problema de pele ou uma condição que precisa de tratamento. O cachorro também pode demonstrar coceira lambendo as patas, mordiscando o corpo, esfregando o rosto ou arrastando determinada região no chão ou nos móveis.
Neste artigo, você aprenderá a reconhecer quando a coceira está excessiva, conhecerá suas principais causas e saberá quais alterações observar na pele. Também entenderá por que medicamentos e receitas caseiras devem ser evitados e quais sinais indicam a necessidade de atendimento veterinário rápido.
Como saber se o cachorro está se coçando demais?
A coceira merece atenção quando interrompe o sono, as refeições, as brincadeiras ou outras atividades. Observe se o cachorro repete o comportamento durante grande parte do dia, parece incapaz de relaxar ou retorna imediatamente à mesma região depois de ser distraído.
Lamber constantemente as patas, morder a base da cauda, balançar a cabeça e esfregar o focinho também são manifestações de desconforto. Em alguns cães, esses comportamentos são mais evidentes do que o uso das patas para se coçar. Manchas marrons nos pelos podem surgir devido ao contato frequente com a saliva.
Afaste os pelos e examine cuidadosamente a pele, sem esfregar as áreas sensíveis. Procure vermelhidão, falhas na pelagem, caspa, crostas, feridas, umidade, inchaço ou secreção. Fotografe as alterações e anote quando começaram, pois a evolução ajuda o veterinário durante a investigação.
Pulgas e outros parasitas podem causar coceira?
Pulgas estão entre as primeiras possibilidades que precisam ser investigadas. Elas costumam se movimentar rapidamente e podem não ser encontradas durante uma inspeção superficial. Pequenos pontos escuros semelhantes a sujeira entre os pelos podem ser fezes de pulgas, especialmente perto da base da cauda e do abdômen.
Alguns cães apresentam alergia à saliva da pulga e desenvolvem coceira intensa após poucas picadas. Por isso, não encontrar uma infestação visível não elimina essa hipótese. O controle precisa incluir todos os animais da casa e, quando indicado, medidas para interromper o ciclo do parasita no ambiente.
Ácaros também podem provocar coceira, crostas e perda de pelos. Alguns tipos são contagiosos e podem afetar outros animais ou causar irritação temporária em pessoas. Como diferentes doenças apresentam aparência semelhante, o diagnóstico depende de exame veterinário e, muitas vezes, de raspagens ou outros testes da pele.
Como as alergias provocam coceira no cachorro?
Alergias ambientais podem envolver substâncias como pólen, ácaros domésticos e componentes presentes no ambiente. A coceira costuma afetar patas, rosto, orelhas, barriga e dobras. Em alguns animais, os sinais aparecem em determinada época do ano; em outros, tornam-se persistentes conforme o quadro evolui.
A alergia alimentar também pode causar alterações na pele, algumas vezes acompanhadas de vômitos, gases ou fezes amolecidas. Entretanto, não é possível identificar o ingrediente responsável apenas observando os sintomas. Trocar de ração repetidamente pode confundir a investigação e não confirma o diagnóstico.
Quando existe suspeita alimentar, o veterinário pode recomendar uma dieta de eliminação rigorosa por várias semanas, seguida de uma provocação controlada. Petiscos, restos e medicamentos saborizados interferem no resultado. As diretrizes da AAHA destacam que doenças alérgicas são investigadas depois do controle de parasitas e infecções.
Infecções de pele e ouvido também causam coceira?
Bactérias e leveduras podem se multiplicar na pele e aumentar a inflamação. Mau cheiro, oleosidade, vermelhidão, espinhas, crostas e áreas sem pelo são sinais possíveis. Essas infecções frequentemente aparecem como consequência de alergias, parasitas, umidade ou lesões provocadas pelo próprio ato de coçar.
Uma região úmida, dolorida e avermelhada pode se expandir rapidamente e formar uma dermatite úmida, conhecida como hot spot. Pelagens densas, nós e umidade retida favorecem esse problema. O cachorro costuma lamber ou morder a área continuamente, o que aumenta a lesão em poucas horas.
Otites podem provocar coceira ao redor das orelhas, balanço da cabeça, dor e secreção. Não introduza cotonetes nem aplique produtos antes da avaliação, pois o tímpano e o canal precisam ser examinados. Além de tratar a infecção, é necessário investigar o problema que permitiu sua recorrência.
Quais outras condições podem provocar coceira?
Contato com produtos de limpeza, perfumes, plantas, tecidos ou materiais utilizados na cama pode irritar a pele. Banhos muito frequentes, xampus inadequados e enxágue incompleto também podem causar ressecamento ou inflamação. A distribuição das lesões ajuda a relacionar o problema a uma possível exposição.
Espinhos, picadas de insetos e pequenos objetos presos entre os dedos podem causar lambedura localizada. Dor nas articulações ou em outra estrutura também pode fazer o cachorro lamber repetidamente uma região, mesmo quando não existe uma alteração de pele evidente no início.
Ansiedade, tédio e comportamentos repetitivos podem contribuir para a lambedura, mas essa explicação somente deve ser considerada depois que causas físicas forem investigadas. A coceira constante também provoca estresse por si mesma. Classificar o problema como emocional sem examinar a pele pode atrasar um tratamento necessário.
Como o veterinário descobre a causa da coceira?
O veterinário perguntará quando os sinais começaram, quais regiões são afetadas e se existe variação conforme a estação. Informe os alimentos consumidos, produtos utilizados em casa, prevenção contra pulgas e carrapatos, medicamentos anteriores e presença de outros animais ou pessoas com lesões.
O exame pode incluir pente fino, raspagem da pele, análise de pelos e avaliação de células e microrganismos presentes nas áreas alteradas. Quando existe problema no ouvido, uma amostra da secreção pode ser examinada. Culturas, exames de sangue ou biópsias são utilizados em situações específicas.
Testes de alergia não servem, isoladamente, para confirmar dermatite atópica. Primeiro é necessário excluir doenças com sinais semelhantes e tratar parasitas e infecções secundárias. A Cornell University descreve a dermatite atópica como uma condição compatível com determinados sinais depois que outras causas foram descartadas.
O que não fazer quando o cachorro está se coçando?
Não ofereça antialérgicos, corticoides, antibióticos ou outros medicamentos sem prescrição. A dose e a segurança variam conforme o peso, a idade, as doenças e os demais remédios utilizados. Algumas apresentações humanas também contêm associações ou adoçantes perigosos para cães.
Evite álcool, vinagre, bicarbonato, óleos essenciais, pomadas humanas e receitas encontradas na internet. Essas substâncias podem irritar a pele, ser ingeridas durante a lambedura ou esconder temporariamente a aparência da lesão. Banhos repetidos com produtos inadequados também podem intensificar o desconforto.
Enquanto aguarda atendimento, impeça que o cachorro traumatize a região utilizando um colar protetor de tamanho adequado, se ele o tolerar com segurança. Mantenha a área limpa e seca, sem raspar os pelos ou aplicar produtos. O colar evita novas lesões, mas não trata a causa da coceira.
Quais sinais indicam que é necessário procurar atendimento?
Marque uma consulta quando a coceira persistir, voltar frequentemente ou causar perda de pelos, crostas, mau cheiro, secreção ou feridas. O atendimento também é necessário se o cachorro demonstra dor, não consegue dormir ou apresenta alterações recorrentes nas orelhas, patas e dobras da pele.
Procure atendimento mais rápido se as lesões estiverem aumentando, houver pus, sangramento, febre, falta de apetite ou redução da disposição. Filhotes, idosos e animais com doenças crônicas precisam de avaliação antecipada, pois infecções e perda da barreira de proteção da pele podem evoluir com maior facilidade.
Inchaço repentino no rosto, dificuldade para respirar, língua ou gengivas azuladas, fraqueza intensa e desmaio são sinais de emergência. Eles podem acontecer durante uma reação alérgica grave e exigem deslocamento imediato para uma clínica veterinária, sem tentar tratar o cachorro em casa.
Perguntas frequentes
A coceira merece atenção quando interrompe sono, refeições, brincadeiras ou outras atividades, quando o cachorro não consegue relaxar ou quando surgem vermelhidão, falhas na pelagem, caspa, crostas, feridas, umidade, inchaço ou secreção.
Sim. Pulgas podem não ser vistas mesmo quando causam coceira intensa, especialmente em cães alérgicos à saliva do parasita. Ácaros também podem provocar crostas e perda de pelos, e alguns são contagiosos. O diagnóstico depende de avaliação e testes.
Alergias ambientais podem afetar patas, rosto, orelhas, barriga e dobras. A reação alimentar também pode alterar a pele, mas não é identificada apenas pelos sintomas. A investigação ocorre depois do controle de parasitas e infecções e pode exigir dieta de eliminação.
Não ofereça antialérgicos, corticoides, antibióticos ou outros medicamentos sem prescrição e não aplique álcool, vinagre, bicarbonato, óleos essenciais ou pomadas humanas. Essas medidas podem ser perigosas, irritar a pele ou esconder a lesão.
Procure avaliação quando a coceira persistir, voltar ou causar perda de pelos, crostas, odor, secreção, feridas ou dor. Inchaço repentino no rosto, dificuldade para respirar, língua ou gengivas azuladas, fraqueza intensa ou desmaio são emergências.
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Sobre a autora
Cíntia C. Sabbag estuda e acompanha há anos a saúde, o comportamento e o bem-estar dos cães, orientando tutores a cuidar do animal em todas as fases da vida.