Raças
Pequinês: guia completo da raça
O Pequinês é um cão de companhia pequeno. Veja origem, temperamento, saúde, rotina e cuidados em cada fase da vida, do filhote ao cão idoso.
Por Cintia C. Sabbag
O Pequinês é um cão pequeno, robusto e reconhecido pela pelagem abundante, pelo rosto achatado e pela juba ao redor do pescoço. Criado durante séculos como animal de companhia da nobreza chinesa, costuma ser leal, atento e independente. Seu porte reduzido não impede que demonstre coragem e personalidade firme.
Neste artigo, você conhecerá a origem, as características físicas e o temperamento do Pequinês. Também verá como cuidar da pelagem, dos olhos e da respiração e por que calor, obesidade, exercícios intensos e características físicas exageradas podem comprometer seriamente o bem-estar da raça.
Características do Pequinês
Qual é a origem do Pequinês?
O Pequinês surgiu na China e foi criado durante séculos dentro dos palácios imperiais. Cães pequenos com aparência de leão possuíam grande valor simbólico e eram mantidos como companheiros da família imperial. Sua criação ficou restrita aos ambientes ligados à nobreza durante um longo período.
No século XIX, alguns exemplares foram levados para a Grã-Bretanha e despertaram interesse entre criadores europeus. A partir daí, a raça começou a ser organizada fora da China e ganhou admiradores em outros países, mantendo sua função principal como cão de companhia.
A Federação Cinológica Internacional reconhece a China como o país de origem e a Grã-Bretanha como responsável pelo desenvolvimento do padrão. A raça recebeu reconhecimento definitivo da entidade em 1966 e integra o grupo dos cães de companhia.
Quais são as características físicas da raça?
O Pequinês apresenta corpo pequeno, compacto e surpreendentemente pesado para seu tamanho. Sua altura costuma variar aproximadamente de 15 a 23 centímetros, enquanto o peso deve permanecer abaixo de 6,5 quilos. A parte dianteira do corpo é mais larga do que a traseira.
A cabeça é larga, com focinho curto, olhos escuros e orelhas caídas cobertas por pelos. As narinas devem permanecer abertas, e nenhuma ruga pode bloquear os olhos ou o nariz. Respiração ruidosa ou dificuldade para puxar o ar não devem ser tratadas como características normais.
A pelagem é dupla, com pelo externo longo e relativamente áspero e subpelo macio e denso. Uma juba se forma ao redor do pescoço e dos ombros. Diversas cores são aceitas, incluindo vermelho, creme, preto, fulvo, cinza e combinações com áreas brancas.
Como é o temperamento do Pequinês?
O Pequinês costuma ser leal, atento e muito ligado às pessoas de sua preferência. Ele aprecia companhia e carinho, mas também pode escolher quando deseja interagir. Sua independência faz com que nem sempre responda imediatamente aos comandos ou aceite manipulações prolongadas.
Diante de desconhecidos, tende a observar antes de permitir aproximações. Muitos exemplares latem para anunciar visitantes, ruídos e movimentos diferentes. O American Kennel Club descreve a raça como afetuosa, leal e confiante, além de destacar sua personalidade independente.
Um Pequinês equilibrado não deve viver assustado nem reagir agressivamente a qualquer contato. Rosnados durante escovação ou manipulação podem indicar medo, dor ou falta de adaptação. O tutor deve investigar a causa em vez de considerar esse comportamento apenas uma demonstração de temperamento forte.
O Pequinês convive bem com crianças e outros animais?
O Pequinês pode conviver com crianças cuidadosas, mas não costuma tolerar brincadeiras bruscas. Seu corpo pequeno, olhos expostos e coluna relativamente longa aumentam o risco de lesões provocadas por quedas e apertos. As interações com crianças pequenas precisam ser supervisionadas.
As crianças devem aprender a não puxar a pelagem, retirar o cachorro de sua cama ou incomodá-lo enquanto come. Ele precisa ter um local tranquilo para descansar sem contato constante. Respeitar seus sinais de desconforto reduz o risco de medo, rosnados e tentativas de afastamento.
A convivência com cães e gatos geralmente é possível quando as apresentações são graduais. Alguns pequineses demonstram confiança diante de animais muito maiores e podem se aproximar sem avaliar o risco. O tutor deve impedir interações descontroladas e proteger o cão de brincadeiras excessivamente intensas.
Quanto exercício o Pequinês precisa?
O Pequinês possui necessidade moderada de exercício. Caminhadas curtas e brincadeiras dentro de casa ajudam a controlar o peso e preservar a mobilidade. A atividade deve respeitar sua respiração, sua idade e sua condição física, sem obrigá-lo a acompanhar corridas ou percursos longos.
Por possuir focinho achatado, o Pequinês pode ter dificuldade para resfriar o corpo por meio da respiração. Passeios devem ocorrer nos horários mais frescos, preferencialmente com peitoral confortável. Escadas frequentes e saltos de móveis também precisam ser limitados para proteger a coluna e as articulações.
Ofegação muito intensa, língua arroxeada, fraqueza, confusão ou desmaio são sinais de emergência. O The Kennel Club alerta que cães de rosto achatado apresentam risco maior de problemas respiratórios durante o calor e precisam receber atendimento veterinário rapidamente.
Como treinar e socializar um Pequinês?
O treinamento deve utilizar recompensas, paciência e sessões curtas. O Pequinês é inteligente, mas pode perder o interesse em exercícios repetitivos. Comandos como vir quando chamado, soltar objetos e permanecer tranquilo durante a higiene facilitam o cuidado e aumentam sua segurança.
Permitir todos os comportamentos por causa do tamanho reduzido pode criar dificuldades. Latidos insistentes, proteção de alimentos e recusas durante manipulações precisam ser trabalhados desde cedo. Regras consistentes ajudam o cachorro a compreender o que é esperado sem recorrer a intimidação ou punições físicas.
A socialização deve incluir pessoas cuidadosas, cães equilibrados, sons, veículos e diferentes ambientes. As apresentações precisam respeitar seu ritmo e evitar situações que provoquem medo. Também é importante acostumá-lo gradualmente à escovação, à limpeza facial e aos exames dos olhos e da boca.
Como cuidar da pelagem e da alimentação?
A pelagem precisa ser escovada várias vezes por semana, alcançando o subpelo e não apenas a superfície. Atrás das orelhas, nas axilas, no peito e nas pernas são áreas propensas a nós. A escovação também ajuda a remover pelos soltos durante as trocas sazonais.
Olhos, focinho e dobras faciais devem ser examinados diariamente. Se houver uma dobra sobre o nariz, ela precisa permanecer limpa e seca. Secreção ocular, vermelhidão, mau cheiro, coceira ou olhos parcialmente fechados podem indicar irritação e exigem avaliação veterinária.
A alimentação deve ser medida para evitar obesidade, pois o excesso de peso piora a respiração e aumenta a sobrecarga sobre a coluna e as articulações. Petiscos precisam ser incluídos na quantidade diária. Dificuldade para mastigar ou acúmulo de tártaro também merece acompanhamento veterinário.
O Pequinês é saudável e indicado para qualquer pessoa?
O Pequinês pode apresentar síndrome obstrutiva das vias aéreas dos braquicefálicos, problemas nos olhos, doenças dentárias, luxação de patela e alterações na coluna. Roncos intensos, intolerância a exercícios, engasgos frequentes ou esforço para respirar devem ser investigados, mesmo que estejam presentes desde filhote.
Ao escolher um filhote, é importante observar se os pais respiram sem esforço, possuem narinas abertas e conseguem se movimentar normalmente. O próprio AKC reconhece que cães de focinho achatado podem apresentar dificuldades respiratórias e recomenda atenção a essa característica durante a criação.
A raça pode viver bem em apartamentos e não exige exercícios prolongados, mas precisa de cuidados frequentes com pelagem, olhos, peso e temperatura. Não é indicada para quem procura um parceiro de corrida. Para uma família cuidadosa, pode ser um companheiro leal, tranquilo e cheio de personalidade.
Perguntas frequentes sobre Pequinês
A raça surgiu na China e foi criada durante séculos nos palácios imperiais como companhia da nobreza. No século XIX, alguns exemplares chegaram à Grã-Bretanha e a criação começou a se organizar fora da China.
Costuma ser leal, atento, confiante e muito ligado às pessoas de sua preferência. Também é independente, pode observar desconhecidos antes de aceitar contato e tende a latir para anunciar novidades.
Pode conviver bem com crianças cuidadosas, cães e gatos quando as apresentações são graduais. Seu corpo pequeno, olhos expostos e coluna relativamente longa exigem supervisão e brincadeiras delicadas.
Precisa de exercícios moderados, como caminhadas curtas e brincadeiras dentro de casa. Calor, corridas, percursos longos, escadas frequentes e saltos devem ser evitados ou limitados.
A raça pode apresentar problemas respiratórios dos braquicefálicos, alterações nos olhos, doenças dentárias, luxação de patela e problemas na coluna. Respiração com esforço e intolerância a exercícios exigem avaliação.
Cuide do seu Pequinês com mais segurança em cada fase
Chega de juntar orientações soltas e continuar em dúvida sobre o que realmente se aplica à raça. O e-book Como Cuidar do Pequinês organiza alimentação, saúde, comportamento, prevenção e rotina em um único guia prático.
Você recebe o PDF por e-mail após a confirmação do pagamento e pode consultá-lo sempre que surgir uma dúvida.
Quero o guia do Pequinês
Sobre a autora
Cíntia C. Sabbag estuda e acompanha há anos a saúde, o comportamento e o bem-estar dos cães, orientando tutores a cuidar do animal em todas as fases da vida.