Spitz Alemão

Spitz Alemão: guia completo da raça

Guia completo do Spitz Alemão: os cinco tamanhos, peso, temperamento, convivência e história da raça, com a ficha oficial da FCI.

Cintia C. Sabbag

Por Cintia C. Sabbag

Spitz Alemão anão de pelagem laranja, em pé de corpo inteiro com a cauda sobre o dorso, sobre fundo bege claro

O que no Brasil se chama de Spitz Alemão é quase sempre a variedade anã, conhecida como Lulu da Pomerânia. Mas o padrão da FCI descreve uma raça com cinco tamanhos, do anão de 21 cm ao Wolfsspitz de 49 cm — todos sob o mesmo número 97.

É um cão de alerta em tamanho reduzido. Late para avisar, observa tudo, apega-se intensamente à família e desconfia de estranhos. Quem procura um cão discreto costuma se surpreender com o volume de opinião que cabe em três quilos.

Expectativa de vida 12 a 16 anos
Altura (anão) 21 ± 3 cm
Peso (anão) 1,9 a 3,5 kg
Porte Pequeno

Características do Spitz Alemão

Cada nota resume o comportamento típico da raça, com base no padrão oficial e na convivência relatada por tutores e criadores. É uma avaliação qualitativa, não uma medição: cada cão é um indivíduo.

  • Adaptabilidade 4/5
  • Nível de afeição 5/5
  • Bom para apartamento 5/5
  • Necessidade social 5/5
  • Necessidade de tosa 4/5
  • Amigável com crianças 3/5
  • Amigável com cães 3/5
  • Amigável com estranhos 2/5
  • Tendência de latir 5/5
  • Gosto por brincadeiras 4/5
  • Inteligência 4/5
  • Tolerância ao frio 5/5
  • Necessidade de exercícios 2/5
  • Facilidade de treinamento 3/5
  • Cão de guarda 4/5
  • Queda de pelo 4/5
  • Espaço necessário 1/5
  • Tolerância ao calor 2/5

Aparência e os cinco tamanhos

O padrão FCI nº 97 reúne cinco variedades pela altura na cernelha: Wolfsspitz ou Keeshond, com 49 ± 6 cm; Spitz Grande, 45 ± 5 cm; Spitz Médio, 35 ± 5 cm; Spitz Pequeno, 27 ± 3 cm; e Spitz Anão, 21 ± 3 cm. No Brasil, o anão domina a ponto de o nome da raça virar sinônimo dele.

A pelagem é dupla e abundante, com subpelo denso e pelo externo longo e afastado do corpo, o que dá o volume característico. A juba ao redor do pescoço e a cauda enrolada sobre o dorso completam a silhueta.

Essa pelagem é adaptação a clima frio, e a consequência no Brasil é direta: tolerância boa ao frio e limitada ao calor. Não se resolve isso com tosa rente — raspar a pelagem dupla compromete a proteção e ela costuma não voltar igual.

Personalidade

É um cão de alerta. Percebe movimento, som e chegada de gente antes de todo mundo na casa, e comunica isso da forma que sabe: latindo. Como cão de aviso, é excelente; como cão silencioso, é péssima escolha.

O apego à família é intenso e costuma se concentrar em uma ou duas pessoas. Com estranhos, mantém reserva por mais tempo do que raças de companhia como o Shih Tzu ou o Bulldog Francês.

É esperto e aprende rápido, inclusive a manipular a rotina da casa. A raça responde bem a treino quando ele é constante — e responde igualmente bem a inconsistência, aprendendo que insistir funciona.

Convivência e rotina

Ocupa pouquíssimo espaço e se adapta muito bem a apartamento, com uma ressalva importante: o latido. É o ponto de atrito mais frequente com vizinhos, e trabalhar isso desde filhote muda completamente a convivência.

Com crianças, funciona melhor com crianças maiores. Não por temperamento, mas por porte: um cão de dois a três quilos se machuca com facilidade em queda ou aperto involuntário.

A demanda de exercício é baixa, mas a de estímulo não. É um cão atento e curioso, que fica entediado com facilidade — e tédio, nesta raça, costuma sair pela boca.

A pelagem no dia a dia

A pelagem dupla exige escovação regular para não formar nós no subpelo, especialmente atrás das orelhas e nas axilas. O volume esconde embaraço em formação, e quando aparece já está apertado.

A troca de pelo é intensa e concentrada em períodos. Nessas fases, a escovação diária substitui o esforço de recolher pelo da casa inteira.

A tosa rente é desaconselhada. Além da função térmica, a pelagem dupla pode crescer irregular depois de raspada — um efeito conhecido entre criadores e difícil de reverter.

A história do Spitz Alemão

Os spitz estão entre os tipos de cão mais antigos da Europa central, descendentes de cães de turfa do período neolítico. A função original era de guarda de propriedade e de rebanho, não de companhia.

A variedade anã se desenvolveu por seleção de tamanho, e ganhou popularidade na Inglaterra vitoriana — o interesse da rainha Vitória pela raça é frequentemente citado como o empurrão que consolidou o gosto pelos exemplares menores.

O nome Pomerânia vem da região histórica entre a Alemanha e a Polônia, onde a seleção pelo porte reduzido teria se intensificado. A FCI mantém as cinco variedades sob um único padrão, o número 97, no grupo 5.

Ficha técnica

Grupo
Grupo 5 da FCI — spitz e cães do tipo primitivo
Padrão
FCI nº 97
Origem
Alemanha
Também chamado
Lulu da Pomerânia, Pomeranian, Zwergspitz

Destaques e curiosidades

Cinco tamanhos, um padrão

Wolfsspitz, Grande, Médio, Pequeno e Anão dividem o mesmo padrão FCI. O que no Brasil chamamos de Spitz Alemão é, quase sempre, apenas a última variedade.

Era cão de guarda de fazenda

A função original do tipo spitz era vigiar propriedade e rebanho. O hábito de avisar tudo o que se move não é vício adquirido: é o resquício de um trabalho.

Feito para o frio

A pelagem dupla é adaptação a clima frio europeu. É a raça deste site com maior tolerância ao frio e uma das que mais exigem atenção ao calor brasileiro.

Dicas de adestramento

Trabalhe o latido desde o primeiro dia. É a característica mais definidora da convivência com a raça, e a mais fácil de piorar sem querer — atender o cão enquanto ele late ensina exatamente o que você não quer.

Seja consistente. O Spitz aprende com muita rapidez qual comportamento funciona, e uma exceção ocasional apaga semanas de treino.

Socialize cedo com pessoas de fora. A reserva com estranhos é natural na raça, e a janela de socialização do filhote é o que define se ela vira desconfiança tranquila ou reatividade.

Trate o tamanho com realismo. Colo constante e ausência de regra criam um cão pequeno mandando na casa — comportamento que seria inaceitável num cão grande e que só passa despercebido pelo porte.

Perguntas frequentes

Guia completo de como cuidar do Spitz Alemão

Este guia reúne o que muda no dia a dia de quem tem um Spitz: alimentação por fase, rotina de pelagem, manejo do latido e comportamento em cada idade.

É material em PDF, direto ao ponto, escrito para consulta rápida em vez de leitura corrida.

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Cintia C. Sabbag

Sobre a autora

Cintia C. Sabbag é médica veterinária dedicada à saúde, ao comportamento e ao bem-estar de cães, com foco em orientar tutores a cuidar do animal em todas as fases da vida.