Adestramento e Educação
Bichon Havanês: guia completo da raça
Guia completo do Bichon Havanês: ficha oficial da FCI nº 250, medidas, temperamento, saúde, pelagem, história e dicas de adestramento.
Por Cintia C. Sabbag
O Bichon Havanês é o único cão nativo de Cuba e o padrão FCI nº 250, na versão publicada em 31 de outubro de 2016, o coloca no Grupo 9, Seção 1, ao lado dos outros bichons. A altura na cernelha vai de 23 a 27 cm, com tolerância de 21 a 29 cm, e o padrão da FCI simplesmente não fixa peso: na prática, um adulto bem estruturado fica entre 3 e 6 kg. O corpo é retangular, com proporção de 4 para 3 entre comprimento e altura, a cauda é levada alta e de preferência enrolada sobre o dorso, e a pelagem chega a 12 a 18 cm no cão adulto, macia, lisa ou ondulada, às vezes formando mechas encaracoladas. Branco puro é raro na raça; o padrão descreve fulvo em várias tonalidades, preto, marrom-havana, cor de tabaco e castanho-avermelhado, com manchas e marcas fogo aceitas. O movimento é elástico, quase saltitante, e é uma das marcas registradas da raça em pista. Em longevidade a raça se sai muito bem: o estudo de McMillan e colegas publicado na Scientific Reports em 2024, com 584.734 cães do Reino Unido, aponta expectativa de vida em torno de 14,5 anos para o Havanês, contra mediana geral de 12,5 anos no mesmo levantamento.
O custo real dessa raça não está no exercício e sim na tesoura e no relógio. Pelo de 12 a 18 cm com subpelo macio embola em dois dias de descuido, então escovação vira rotina quase diária e a visita ao profissional cai a cada três ou quatro semanas. No Brasil de 2026, banho e tosa de cão pequeno gira em média entre R$ 40 e R$ 60, mas cão de pelo longo e volumoso cai sempre na faixa alta da tabela e passa fácil de R$ 80 a R$ 120 em capital, com variação de uns 20% para cima ou para baixo conforme região e posicionamento do pet shop. Conte algo entre R$ 150 e R$ 250 por mês só de tosa e banho, sem contar escova, rasqueadeira e produto de casa. Na saúde, o clube americano da raça exige avaliação oficial de quadril, de patela e exame oftalmológico anual para certificação, e a lista de problemas conhecidos inclui luxação de patela, catarata, displasia coxofemoral, Legg-Calvé-Perthes, condrodistrofia e shunt portossistêmico congênito, este último diagnosticado em cerca de 3% dos Havaneses contra 0,18% da população canina geral. Exercício é pouco, 30 a 45 minutos por dia resolvem. O item mais caro é presença: é raça de apego intenso, que adoece de tédio e ansiedade quando fica dez horas sozinha todo dia. Filhote com pedigree CBKC costuma sair entre R$ 1.500 e R$ 5.000, e linhagem importada passa disso.
Características do Bichon Havanês
Cada nota resume o comportamento típico da raça, com base no padrão oficial e na convivência relatada por tutores e criadores. É uma avaliação qualitativa, não uma medição: cada cão é um indivíduo.
Vinte e cinco centímetros de cão embaixo de quinze de pelo
O padrão FCI nº 250 pede um cão pequeno, mas não miniaturizado a ponto de virar brinquedo. A altura na cernelha vai de 23 a 27 cm, com tolerância aceita entre 21 e 29 cm, e o comprimento do corpo se relaciona com a altura na proporção de 4 para 3. Ou seja: retangular, mais comprido que alto, nunca quadrado. O padrão da FCI não estipula peso algum, o que é raro e diz muito sobre a raça, cuja silhueta importa mais que a balança. Na prática, o adulto pesa de 3 a 6 kg. O padrão americano da AKC trabalha com faixa equivalente e define altura ideal entre 9 e 10,5 polegadas, com aceitação de 8,5 a 11,5 polegadas, o que dá aproximadamente 21,5 a 29 cm.
A cabeça é de comprimento moderado, com focinho que mede o mesmo que a distância do stop à protuberância occipital. Os olhos são grandes, escuros, amendoados, com expressão doce e viva. As orelhas são de inserção alta, caem dobradas formando uma leve prega e são cobertas de pelo longo. A cauda é levada alta, em forma de báculo ou, preferencialmente, enrolada sobre o dorso, sempre coberta de franjas abundantes. É um conjunto pensado para o cão parecer alerta e alegre mesmo parado, e não para caçar, correr ou puxar nada.
O movimento é a assinatura da raça. O Havanês tem um andar elástico, quase de mola, com os membros anteriores levantando mais do que se espera de um cão desse tamanho. Isso não é enfeite de exposição: nasce da estrutura de ombro e da postura naturalmente ereta do animal, e é justamente o que se perde quando o cão está com sobrepeso ou com problema de patela. Se o dono percebe que aquele passo saltitante sumiu, vale examinar joelho e peso antes de qualquer outra coisa.
Um detalhe estrutural que o padrão não conta e a genética conta: um estudo com 355 Havaneses encontrou frequência de 0,975 para o alelo mutante do retrogene FGF4 no cromossomo 18, contra apenas 0,025 do alelo selvagem, sem nenhum cão homozigoto selvagem no grupo. Traduzindo, praticamente toda a raça é condrodistrófica, isto é, tem membros geneticamente encurtados. Os poucos portadores do alelo selvagem mediam em média 31,3 cm na cernelha, contra 26,4 cm dos homozigotos mutantes. Isso explica os anteriores curtos e às vezes arqueados que aparecem na raça e por que o padrão insiste em membros retos com pés apontando para a frente.
Palhaço da casa com radar ligado na campainha
O próprio padrão da FCI descreve o Havanês como excepcionalmente esperto, afetuoso, de natureza alegre, amável, sedutor, brincalhão e um pouco palhaço, e ainda registra que ele se treina com facilidade como cão de alarme. Essa última parte costuma ser lida rápido demais por quem compra o cachorro pela fofura. Alarme quer dizer latido. O Havanês avisa: avisa o elevador, avisa o interfone, avisa o vizinho passando no corredor. Não é um latidor histérico como certos terriers, mas é vocal, e num apartamento isso vira problema se ninguém ensinar quando parar.
O traço mais definidor da raça é o apego. Havanês foi selecionado por séculos para uma única função, que é ficar junto de gente, e ele leva isso a sério. Segue o dono de cômodo em cômodo, dorme encostado, participa de tudo. O outro lado dessa moeda é a propensão a comportamento relacionado à separação: vocalização, destruição, sujeira em casa e sinais de ansiedade quando o cão fica sozinho. Não é sentença, e boa parte se previne com treino de solidão feito desde filhote, mas quem passa doze horas fora e mora sozinho está escolhendo a raça errada.
Com estranhos, o Havanês típico é sociável e curioso, não agressivo. O que aparece com alguma frequência em cães mal socializados é o oposto do que se espera: retraimento, tremedeira, cão que se enfia atrás da perna do dono. O padrão inclusive lista timidez excessiva e agressividade entre as faltas eliminatórias. Socialização entre a oitava e a décima sexta semana, com gente de tipos variados, chão escorregadio, elevador, rua barulhenta e outros cães equilibrados, é o que separa um Havanês tranquilo de um Havanês reativo por medo.
A inteligência da raça é prática e voltada para cooperação, não independência. Havaneses trabalham como cães de terapia, cães de assistência para pessoas surdas e em detecção, e competem bem em agility, flyball, freestyle e obediência. Isso importa para o tutor comum porque significa que o cão precisa de trabalho mental, não de quilômetros. Quinze minutos de treino de truque ou de faro em casa cansam mais esse cão do que meia hora de caminhada apressada.
O que muda na sua rotina no dia em que ele chega
Para apartamento, poucas raças são tão bem resolvidas. Um Havanês adulto se satisfaz com 30 a 45 minutos de atividade por dia divididos em dois passeios, mais brincadeira e treino dentro de casa. Ele não precisa de quintal, não precisa de corrida, não destrói móvel por excesso de energia. O que ele precisa é de companhia e de estímulo mental. Tapete de faro, brinquedo recheado, sessões curtas de truque e um lugar na janela para observar o mundo resolvem mais do que qualquer parque.
Com crianças, funciona bem quando as crianças já entendem regra. O problema não é o temperamento do cão, é o tamanho: um animal de 4 kg com ossos finos se machuca quando cai do colo, quando alguém senta em cima dele ou quando escorrega do sofá. Casa com criança pequena precisa de rampinha para o sofá, de regra clara de que cachorro no chão é cachorro em paz e de um lugar de descanso onde ninguém mexe com ele. Com outros cães e com gatos a convivência costuma ser tranquila, desde que a apresentação seja feita com calma e o Havanês não seja jogado no meio de cães grandes e brutos que brincam pesado.
O ponto crítico da rotina é o tempo sozinho. Quem trabalha fora precisa construir isso ativamente: começar com ausências de dois minutos, subir devagar, sair sem despedida dramática, deixar comida escondida ou brinquedo recheado no momento da saída, e nunca voltar em resposta a choro. Se o cão já chora, o caminho é reduzir a exposição e reconstruir do zero, não aguentar até passar. Creche canina, dog walker no meio do dia ou alguém em casa em parte do expediente são soluções legítimas e muitas vezes necessárias para essa raça específica.
No calor brasileiro, o Havanês exige atenção. É um cão pequeno, escuro em boa parte das cores e com pelo longo, que dissipa calor mal. Passeio de meio-dia no verão está fora de questão. O melhor horário é antes das oito da manhã e depois das sete da noite, com água disponível sempre e chão testado com a mão antes de sair, porque asfalto quente queima coxim. Manter o pelo mais curto no verão ajuda de verdade, e não é crime nenhum: cão de casa não precisa carregar 18 cm de pelo em janeiro no Rio de Janeiro.
Doze a dezoito centímetros que não se cuidam sozinhos
O padrão FCI descreve a pelagem adulta como muito longa, de 12 a 18 cm, macia, lisa ou ondulada, podendo formar mechas encaracoladas, com subpelo lanoso pouco desenvolvido e por vezes ausente. Essa combinação de fio fino, macio e comprido é exatamente a receita de nó. O pelo do Havanês não cai como o de um labrador; ele fica preso na própria pelagem, embola perto da pele e forma placas que não se resolvem com escovada por cima. Escovação precisa ser diária ou em dia sim, dia não, com escova de pinos e pente de metal, sempre repartindo o pelo em mechas e escovando da raiz para a ponta.
Existem três caminhos práticos. O primeiro é manter o pelo longo de padrão, que exige a rotina acima mais banho a cada uma ou duas semanas com condicionador, e é trabalho de gente disposta. O segundo é a versão em cordas, permitida na raça, bonita e ainda mais trabalhosa, que ninguém deveria tentar sem orientação de tosador experiente. O terceiro, e o mais comum entre tutores brasileiros, é a tosa curta tipo bebê, que corta o pelo a dois ou três centímetros. Perde-se o visual clássico, ganha-se sanidade e o cão passa muito melhor o verão. Não existe resposta errada aqui, existe resposta honesta com a rotina de quem cuida.
Sobre dinheiro: no Brasil em 2026 o banho e tosa de cão pequeno fica em média entre R$ 40 e R$ 60, com a tosa higiênica isolada entre R$ 30 e R$ 45 e a faixa geral do serviço indo de R$ 30 a R$ 150 conforme porte, pelagem e serviços incluídos. Cão de pelo longo entra sempre na parte alta dessa tabela, e em capitais é comum a tosa completa de um Havanês passar de R$ 100. Como a frequência recomendada é de três em três ou de quatro em quatro semanas, o orçamento mensal realista de tosa e banho fica entre R$ 150 e R$ 250, com variação regional de cerca de 20%. Some escova, pente, shampoo e condicionador específicos e a conta anual não é pequena.
Duas ressalvas de saúde de pele e pelo. Havanês solta pouco pelo visível, o que faz muita gente vender a raça como hipoalergênica, e isso é falso: a alergia humana responde a proteínas da saliva e da caspa, não ao pelo em si, e nenhum cão é livre disso. A segunda é a adenite sebácea, doença inflamatória das glândulas sebáceas que aparece na raça com incidência baixa, estimada em 0,8% com margem de 0,2% no levantamento de saúde de 2014 do clube americano, e que se manifesta como perda de pelo em placas, caspa aderida e odor. Não há teste de DNA disponível, o diagnóstico é por biópsia de pele.
De Havana para a mala do exílio
A linhagem começa com o Bichón Tenerife, hoje extinto, levado pelos colonos espanhóis às Canárias e de lá para Cuba a partir do século XVI. Em solo cubano, isolado por gerações e adaptado ao clima da ilha, esse tronco deu origem ao Blanquito de la Habana, o cãozinho branco de Havana, também extinto. O Blanquito foi o cão das famílias abastadas cubanas e a base direta do que hoje se chama Bichon Havanês.
O Havanês moderno surgiu do cruzamento do Blanquito com outros bichons trazidos à ilha, incluindo poodles. Daí vieram as cores que hoje caracterizam a raça e que o padrão descreve com nomes de origem local, como marrom-havana e cor de tabaco. Enquanto isso, o cão perdeu o status de bicho exclusivo da elite colonial e virou cão de família cubana comum, papel que cumpre até hoje e que explica o temperamento: nada de instinto de caça, nada de guarda pesada, tudo voltado para conviver dentro de casa com gente de todas as idades.
A Revolução Cubana quase acabou com a raça fora da ilha. Famílias que deixaram Cuba rumo aos Estados Unidos raramente conseguiram levar os cães. Quando criadores americanos foram atrás da raça nos anos 1970, o pool genético disponível nos Estados Unidos era de onze cães. Foi a partir dessa base minúscula que a população norte-americana foi reconstruída, com esforço de resgate junto a famílias cubano-americanas. O American Kennel Club reconheceu oficialmente o Havanês em 1996.
De lá para cá, a trajetória foi de crescimento acelerado. O Havanês virou uma das raças que mais subiram em número de registros no AKC e se firmou como cão urbano popular em cidades grandes, justamente pelo tamanho e pelo temperamento. É o cão nacional de Cuba e a única raça reconhecida originária do país. No Brasil ainda é raça de nicho, com criação concentrada em poucos canis registrados, o que mantém o preço do filhote alto e torna a checagem de exames de saúde dos pais ainda mais importante na hora de comprar.
Ficha técnica
- Grupo
- Grupo 9 da FCI (Cães de companhia e cães de agrado), Seção 1 (Bichons e raças aparentadas), sem prova de trabalho
- Padrão
- FCI nº 250
- Origem
- Cuba
- Também chamado
- Havanês, Bichon Havanais, Bichón Habanero, Havanese, Bichon Havanese
Fatos que mudam a conversa sobre a raça
O padrão da FCI para o Havanês não estabelece peso. Isso é incomum entre raças de companhia e mostra que o julgamento se apoia na proporção de 4 para 3 entre comprimento e altura, não em quantos quilos o cão marca. Também é um dos poucos padrões que descreve o comprimento do pelo em centímetros, de 12 a 18 no adulto, em vez de deixar a expressão pelo longo aberta a interpretação.
Quase todo Havanês é geneticamente anão. O estudo do retrogene FGF4 com 355 cães da raça encontrou o alelo mutante da condrodisplasia em 97,5% dos cromossomos analisados, sem um único indivíduo homozigoto para o alelo selvagem. Os raros portadores do alelo normal eram, em média, cinco centímetros mais altos. E havia um dado preocupante: esses portadores tinham nascido em média 4,7 anos antes que os homozigotos mutantes, sinal de que a seleção vinha empurrando o alelo normal para fora da raça.
Em longevidade, o Havanês está entre os cães de vida longa. O levantamento britânico de McMillan e colegas publicado na Scientific Reports em 2024, com 584.734 cães, aponta expectativa de vida em torno de 14,5 anos para a raça, contra mediana geral de 12,5 anos entre todos os cães do estudo. Do outro lado da balança está o shunt portossistêmico congênito, malformação vascular do fígado que aparece em cerca de 3% dos Havaneses contra 0,18% da população canina geral, e cujos sinais em filhote incluem crescimento lento, desorientação depois das refeições e convulsões.
A raça trabalha de verdade quando alguém dá trabalho a ela. Havaneses atuam como cães de terapia em hospitais e asilos, como cães de sinalização para pessoas surdas e em detecção de mofo e de pragas, além de competirem em agility, flyball, freestyle e obediência. Para um cão de menos de 30 cm, é um currículo respeitável, e serve de lembrete de que aquele pelo comprido cobre um cachorro esperto que fica entediado com facilidade.
Um cão fácil que estraga por excesso de colo
O Havanês é das raças mais fáceis de treinar entre os cães de companhia. Ele aprende rápido, gosta de trabalhar por comida e por elogio e é sensível ao humor do tutor. Essa sensibilidade tem consequência prática: método duro, grito e puxão de guia não aceleram nada nessa raça, só produzem cão que trava. Reforço positivo com sessões curtas, de três a cinco minutos, várias vezes ao dia, é o formato que funciona. Use parte da ração diária como pagamento em vez de petisco extra, porque um cão de 4 kg engorda com muito pouco.
O treino de higiene é onde mais gente sofre, e não por burrice do cão. Cães pequenos têm bexiga pequena, urinam mais vezes e conseguem esconder o xixi em cantos da casa, o que atrasa a aprendizagem por semanas. O que resolve é gestão de espaço no começo, com cercadinho ou área restrita, saídas ou idas ao tapete em horários fixos logo após acordar, comer, beber e brincar, e reforço no exato segundo em que o cão termina de fazer no lugar certo. Limpeza com produto enzimático é obrigatória, porque limpeza comum deixa o cheiro que convida o cão a repetir no mesmo ponto.
O latido de alerta precisa de protocolo, não de repreensão. O caminho que funciona é ensinar um comportamento alternativo ligado ao gatilho: interfone toca, cão vai até o tapete e ganha comida ali. Repetido em ensaios controlados, o som do interfone deixa de significar alarme e passa a significar corrida para o tapete. Punir o latido tende a piorar, porque o cão continua achando que existe ameaça e agora ainda associa a chegada de visita a coisa ruim.
Duas frentes finalizam a educação do Havanês e são específicas dessa raça. A primeira é o condicionamento à tosa: filhote precisa aprender desde o segundo mês a aceitar escova, pente, secador, corte de unha e manipulação de orelha em sessões curtas e recompensadas, senão o pet shop vira um episódio de estresse quinzenal pelos próximos quinze anos. A segunda é o treino de ficar sozinho, construído em degraus de segundos e minutos, muito antes do primeiro dia em que o cão realmente vai passar horas só. Fazer essas duas coisas nos primeiros seis meses evita a maior parte dos problemas que aparecem depois.
Perguntas frequentes
Late o suficiente para incomodar vizinho se ninguém treinar. O próprio padrão da FCI registra que a raça se treina facilmente como cão de alarme, o que na prática quer dizer que ele avisa interfone, elevador e passos no corredor. Não é um latido compulsivo como o de alguns terriers, mas é frequente e agudo. O manejo eficaz é ensinar um comportamento substituto no gatilho, do tipo campainha toca e o cão corre para o tapete receber comida, em vez de tentar calar o cão com bronca.
Não é a raça indicada para isso. Foi selecionado durante séculos exclusivamente para companhia e desenvolve com facilidade comportamentos relacionados à separação, como vocalização, destruição e eliminação inadequada. Um adulto bem treinado desde filhote aguenta de quatro a seis horas sem drama, e mais que isso já pede solução: alguém em casa em parte do expediente, dog walker ou creche. O treino de solidão precisa ser construído em degraus, começando com ausências de segundos, antes do primeiro dia real de trabalho fora.
Filhote com pedigree de canil registrado costuma ficar entre R$ 1.500 e R$ 5.000, com linhagens importadas acima disso. O custo mensal maior é a tosa: banho e tosa de cão pequeno em 2026 fica em média entre R$ 40 e R$ 60, mas cão de pelo longo cai na faixa alta e passa fácil de R$ 100 em capitais, com visitas a cada três ou quatro semanas. Some ração, vacina anual, antipulgas e reserva para emergência e o orçamento realista fica em torno de R$ 400 a R$ 700 por mês. Antes de comprar, exija ver os exames dos pais, especialmente avaliação de patela, quadril e exame oftalmológico.
Solta pouco pelo visível, porque o fio que se desprende fica preso na própria pelagem em vez de cair no sofá. Isso não faz dele hipoalergênico. A alergia humana a cães responde a proteínas presentes na saliva, na urina e na caspa, não ao pelo, e nenhuma raça é livre delas. Quem tem alergia deve passar tempo real perto de um Havanês adulto antes de decidir. O detalhe prático é que pelo que não cai é pelo que embola: sem escovação frequente, forma placas junto à pele que só se resolvem com tosa.
Os três são cães de companhia de porte pequeno e pelo longo, mas se separam bem quando olhados de perto. O Maltês é branco puro por padrão, tem pelo liso e sedoso caindo reto e é ligeiramente menor. O Shih Tzu vem do Tibete e da China, tem focinho achatado, o que traz risco braquicefálico e menor tolerância ao calor, e cabeça bem mais larga. O Havanês é de Cuba, mede de 23 a 27 cm, tem focinho normal, pelagem macia lisa ou ondulada de 12 a 18 cm em várias cores e um movimento elástico característico. Em temperamento, os três são apegados, e o Havanês tende a ser o mais brincalhão e o mais fácil de treinar em obediência.
Guia de Adestramento e Educação para Cães
Com Havanês, três frentes decidem o resultado e todas são de educação, não de genética: o cão que não sabe ficar sozinho, o latido de alerta na campainha e o treino de higiene que arrasta por semanas porque bexiga de cão pequeno é pequena mesmo. Some a isso o condicionamento à escova, ao secador e ao corte de unha, que precisa começar no segundo mês de vida para o pet shop não virar tortura quinzenal pelos próximos quinze anos. O guia trata exatamente desses pontos, com protocolos em etapas para dessensibilização, manejo de gatilhos e rotina de casa.
É material em PDF, direto ao ponto, escrito para consulta rápida em vez de leitura corrida.
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Sobre a autora
Cintia C. Sabbag é médica veterinária dedicada à saúde, ao comportamento e ao bem-estar de cães, com foco em orientar tutores a cuidar do animal em todas as fases da vida.